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Antigo ministro das Finanças tenta liberdade com caução

Não está fácil a vida para Manuel Chang, antigo mi-nistro das Finanças de Moçambique, que quer evitar ser extraditado para os Estados Unidos da América (EUA), país onde está indiciado pela prática de crimes relacionados com as dívidas ocultas do seu país e que lhe valeu um mandado de detenção internacional, cumprido em Joanesburgo onde se encontrava em trânsito para o Dubai.

Neste momento, Manuel Chang está a negociar com as autoridades sul-africanas a possibilidade de aguardar em liberdade uma decisão final sobre a sua eventual extradição, um processo que se iniciou na quarta-feira e que deverá demorar alguns dias a estar concluído.
O processo de dívidas ocultas de Moçambique tem três arguidos ainda por deter para a devida inquirição. Quan-do se concretizar a detenção desses três suspeitos, cujos nomes não foram ainda divulgados mas entre os quais poderá estar o antigo Presidente Armando Guebuza, passarão a ser oito as pessoas acusadas.
Um dos principais arguidos no processo é o libanês Jean Boustani, que está em prisão preventiva num centro de detenção dos EUA, onde também negoceia uma colaboração com a justiça, depois de ter sido detido na República Dominicana no primeiro dia deste ano.
Segundo a imprensa norte-americana, o neozelandês Andrew Pearse, antigo director do banco Credit Suisse, o britânico Surjan Singh, di-rector no Credit Suisse Global Financing Group, e a búlgara Detelina Subeva, vice-presidente deste grupo, aguardam no Reino Unido a extradição para os EUA, depois de terem sido detidos no dia 3 deste mês e de terem pago cauções para aguardarem a apreciação do pedido em liberdade.
A Justiça norte-americana está a conduzir o caso das dívidas ocultas de Moçambique, que ultrapassaram dois mil milhões de dólares em 2016, com acusações de conspiração para defraudar os EUA, conspiração para fraude electrónica, conspiração para fraude com valores mobiliários e branqueamento de capitais, entre outras.

Acordo preliminar está de pé
O Ministério das Finanças moçambicano garantiu que o acordo preliminar de reestruturação dos títulos de dívida soberana mantém-se, apesar de a Justiça norte-americana ter apresentado provas de ilegalidades na contratação dos empréstimos.
“O Governo fez essa proposta e, independentemente de qualquer coisa, essa proposta mantém-se”, defendeu o porta-voz do Ministério da Economia e Finanças, Rogério Nkomo, em declarações à agência Lusa.
O porta-voz não quis co-mentar a acusação da Justiça norte-americana, considerando que o que pode ser avançado agora é que nada muda na proposta feita em Novembro aos credores, que a aceitaram, e cujos contornos devem ser analisados pelo Parlamento numa data ainda por anunciar.
“Olhando para as condições económicas do país, o que pareceu mais adequado para resolver esta questão foi esta proposta. É necessário agora chegar a acordo definitivo com os credores”, concluiu o porta-voz do Ministério da Economia e Finanças.
Em causa estão os novos detalhes da investigação que está a ser realizada pela Justiça norte-americana sobre o processo e que levou à de-tenção na África do Sul do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, e de outros três antigos banqueiros do Credit Suisse, em Londres, e de um intermediário libanês da Privinvest, na República Dominicana.