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Boko Haram cumpre acordo e liberta mais prisioneiros

O grupo terrorista Boko Haram libertou este fim-de-semana mais 13 prisioneiros, na região nordeste de Maiduguri, na sequência de um processo negocial que vem mantendo com o Go-verno da Nigéria desde há já alguns meses.

Desta feita, o Boko Haram libertou dez alunas e três professores que haviam sido raptados há um ano quando efectuavam uma visita de estudo. O gabinete do presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari confirmou estas libertações e agradeceu a colaboração mais uma vez dada pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha, que transportou as 13 pessoas desde o seu lugar de cativeiro até ao local onde foram entregues, sãs e salvas, nas mãos das autoridades.
A delegação do Comité da Cruz Vermelha Internacional na Nigéria, também confirmou as referidas libertações e sublinhou que a sua participação nesse processo foi feita na condição de “intermediária neutra”, sem ter por isso qualquer tipo de envolvimento num “eventual processo de negociações”.
Segundo dados disponibilizados por esta organização, os carros que transportavam as 13 pessoas libertadas chegaram ao lugar do refúgio do Boko Haram através da fronteira com os Camarões, cerca do meio dia de sábado.
Depois de passarem a fronteira, os veículos entraram na floresta e horas depois chegaram a um lugar descampado onde estavam quatro helicópteros  que levaram as 13 pessoas para Maiduguri.
Embora o assunto esteja rodeado de um enorme e compreensível sigilo, sabe-se da existência, desde Outubro de 2016, de negociações directas entre o Governo nigeriano e membros do grupo Boko Haram para a libertação de prisioneiros. O segredo que rodeia estas negociações faz com que se desconheçam as contrapartidas que o Governo, eventualmente, estará a dar para conseguir resgatar as pessoas que estão sob cativeiro dos terroristas.
O que se sabe, por ser pú-blico, é que a libertação das pessoas detidas acontece sempre com a intermediação do Comité Internacional da Cruz Vermelha e que entre Outubro de 2016 e Maio de 2017 foram já resgatadas 200 das 300 jovens estudantes que haviam sido raptadas em 2014 numa escola da cidade de Chibok.
No sábado, após anunciar a libertação destas 13 pessoas, o presidente Buhari apelou ao exército para que desenvolva esforços no sentido de conseguir a libertação das restantes 100 estudantes raptadas em Chibok e que ainda estão em poder do grupo terrorista. No início do ano um porta-voz do exército nigeriano, Timothy Antigha, disse que cerca de 700 pessoas ha-viam, no espaço de três meses, conseguido escapar das mãos dos terroristas. Segundo ele, essas 700 pessoas estavam prisioneiras em diversas ilhas do Lago Chade e terão conseguido chegar à cidade de Monguno, no Estado de Borno, após caminharem durante vários dias.
O exército nigeriano tem já há muito tempo em curso a denominada operação “Golpe Profundo”, que visa atacar e destruir as bases logísticas e as infra-estruturas do Boko Haram no nordeste da Nigéria. Na mira dos militares está a identificação e destruição de centros de comunicação, equipamentos para o fabrico de bombas, veículos e outros meios operacionais dos terroristas. Terá sido com base nesta operação que terão sido criadas as condições para que os terroristas perdessem algumas posições no Lago Chade, o que permitiu a fuga das referidas 700 pessoas. Criado há oito anos com o objectivo assumido de destituir o Governo nigeriano e instalar no poder um estado islâmico, o Boko  Haram terá já morto mais de 20 pessoas e provocado a deslocação de 2,6 mihões de populares das suas zonas de origem. O exército e o Governo nigeriano acredita que está a ter sucesso na sua recente ofensiva contra o Boko  Haram, atribuindo esse optimismo à diminuição do número de ataques terroristas contra alvos militares e civis. Os recentes desaires averbados pelo Estado Islâmico (de quem o Boko Haram dizia ser afiliado em África) estão a retirar ao grupo  apoio logístico e financeiro.

  Gâmbia está de regresso ao espaço britânico Commonwealth

A Gâmbia está de regresso à Comunidade Britânica, após ter-se retirado em 2013, voltando a aumentar para 53 o número de Estados membros da organização mais conhecida por Commonwealth.
O regresso ficou marcado com a recepção da secretária-geral da organização, Patricia  Scotland, numa cerimónia em Londres, em que, na sede da Commonwealth, foi novamente  erguida a bandeira gambiana.  A  decisão de regressar à Comunidade Britânica foi tomada pelo novo Presidente gambiano, Adama Barrow, e marca o fim das diver-
gências que opunham as po-líticas do anterior chefe de Estado da Gâmbia, YahyaJammeh, derrotado nas eleições de Dezembro de 2016.
Desde então que Barrow tem tentado retirar o país do isolamento internacional, com o regresso à Commonwealth a representar mais um passo nesse sentido. A saída da organização, integrada na sua grande maioria por países que, outrora, foram colónias britânicas, foi ditada pelo antigo presidente gambiano, que liderava o país desde 1994. “A Gâmbia jamais fará parte de uma instituição neocolonial”, argumentou então Yahya Jammeh, de 52 anos de idade, que só aceitaria a derrota eleitoral quase dois meses depois das eleições de 1 de Dezembro de 2016 e que, entretanto, se exilou na Guiné-Equatorial. Para o exí-lio, segundo acusou a Presidência em Banjul, o ex-chefe de Estado levou consigo 11 milhões de dólares e um avião de carga com carros de luxo e outros bens.
Pouco depois de tomar posse, em Janeiro de 2017, Barrow anunciou a intenção de regressar à Comunidade Britânica, decisão confirmada meses depois pelo Parlamento gambiano.