Economia

Preço do petróleo atinge valores de há cinco meses

Os preços do petróleo subiram ontem para o nível mais alto desde Novembro de 2018, impulsionados pelos cortes de oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), pelas sanções dos EUA contra o Irão e a Venezuela, pelos combates na Líbia e pelos bons resultados na criação de empregos nos EUA.

Às 15 horas de ontem, o Brent - referência para Angola - subia 57 centavos de dólar, elevando o preço do barril para 70,91 dólar. O valor é 2,90 dólares acima do previsto pelo Governo no Orçamento Geral do Estado (OGE), 68 dólares, e caso se mantenha pode afastar o cenário de revisão do documento, que chegou a estar prevista para o corrente mês de Abril.
Para sustentar os preços, a OPEP e os seus aliados que não são membros da organização, como a Rússia, prometeram reter cerca de 1,2 milhões de barris por dia de fornecimento em 2019.
“Os contínuos cortes de oferta da OPEP e as sanções dos EUA ao Irão e à Venezuela têm sido o principal impulsionador dos preços ao longo deste ano”, disse Hussein Sayed, analista do sector.
“No entanto, o mais recente impulso aconteceu devido à escalada político-militar na Líbia (que acumula as maiores reservas inexploradas do continente africano) e que ameaça novas interrupções na sua produção”, acrescentou.
Apesar da tendência de subida que se verifica, desde que a OPEP anunciou os cortes, ainda persistem factores que podem ter impacto negativo nos preços. A Rússia, por exemplo, tem revelado algumas hesitações no cumprimento do acordo com a OPEP e pode aumentar a sua produção até Julho, admitiu na sexta-feira, o ministro da Energia daquele país, Alexander Novak.
A produção de petróleo da Rússia atingiu um recorde de 11,16 milhões de barris diários em 2018.
Nos Estados Unidos, a produção de petróleo atingiu os 12,2 milhões de barris diários no final de Março. As exportações de petróleo dos EUA também aumentaram, ao mesmo tempo que se adensam as preocupações sobre a saúde da economia global, especialmente se a China e os Estados Unidos não conseguirem resolver em breve a sua disputa comercial.
“A demanda global enfraqueceu e as tarifas existentes sobre as remessas de mercadorias chinesas para os EUA estão a travar a economia”, disse ontem a agência de 'rating' Moody’s, embora tenha acrescentado que as medidas chinesas de estímulo à economia podem apoiar o crescimento em 2019.