Economia / Banca

BNA avalia os activos dos maiores bancos

O Banco Nacional de Angola (BNA) vai, a partir do próximo mês, avaliar a qualidade dos activos dos 12 maiores bancos entre os 27 que operam no país, no âmbito das medidas destinadas a preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional, anunciou ontem, em Luanda, o vice-governador da instituição, Manuel Tiago Dias.

Sem citar nomes, Manuel Dias, que falava à imprensa, à margem de um seminário sobre “Evolução do Sector Financeiro”, dirigido ao corpo diplomático acreditado no país, disse tratar-se de “um exercício periódico, que visa apurar a veracidade das informações que estas instituições prestam ao BNA, em matéria de activos”.
Sobre a redução do financiamento ao sector privado, o vice-governador do BNA afirmou que a situação deve-se aos elevados níveis de créditos malparados junto das instituições financeiras.
“Houve um período de maior actividade económica em que os bancos concederam vários créditos, mas com queda da actividade, os beneficiários tiveram dificuldades em honrar os compromissos, situação que obrigou os bancos a terem mais cautelas”, disse. Apesar da situação, notou Manuel Dias, uma das prioridades do BNA para este ano é aumentar o crédito ao sector privado, no âmbito do apoio à produção nacional, exercício para o qual os bancos comerciais são incentivados a participar.
O seminário, realizado no Museu da Moeda, teve como principal objectivo, mostrar aos diplomatas a realidade financeira nacional, para ser levada aos investidores dos respectivos países.
Durante o seminário, o director do Departamento de Supervisão Bancária, Tonecas Lucau, revelou que o sistema bancário nacional tem um activo de 13 triliões de kwanzas que, desde 2013, regista uma evolução, chegando a atingir um crescimento anual, médio, de 14, 9 por cento.
O crescimento dos activos do sistema bancário, referiu, resulta do empenho da rede bancária do país, que, desde 2002, conheceu  uma evolução significativa, tendo passado de seis instituições para 30 até Dezembro de 2018.
Por inobservância das orientações do Banco Nacional, lembrou, três instituições bancárias foram encerradas, restando apenas 27, sendo três bancos públicos, 18 privados de direito angolano, cinco privados estrangeiros e uma sucursal de um banco chinês.
A maior parte das agências destas instituições operam nas província de Luanda, Benguela e Lubango, onde a actividade económica é exercida com maior intensidade e frequência.
Referindo-se a créditos malparados, o vice-governador do BNA disse que aumentou, tendo passado de 28 para 30 por cento. “Fruto desta situação, os bancos têm-se mostrado mais retraídos na concessão de crédito”, salientou.
O sector do comércio, apontou, é o que concentra maior número de casos de crédito malparado e, por ser o que mais recorre a importações, também enfrentam muitas dificuldades em honrar os seus compromissos.
Apesar dos malparados, o sistema financeiro, na sua generalidade é solvente, apresentando um rácio de solvabilidade de 23,38 por cento.
Em termos de incumprimento, disse, de 2016-2017, a situação era de instabilidade, com o rácio a passar de 12,6 para 28 por cento, facto que
levou o BNA a gizar um plano de avalização da qualidade dos activos