Economia

Shoprite Angola repatria USD 34 milhões

A rede de supermercados Shoprite Angola repatriou, no segundo semestre de 2019, cerca de 34 milhões de dólares norte-americanos para o grupo na África do Sul.

Segundo o relatório financeiro divulgado, os mercados além-fronteiras como de Angola, Nigéria, Zâmbia e Quénia contribuíram sobremaneira para os resultados animadores do grupo, apesar das incertezas de negócio.

Segundo Pieter Engelbrecht, director executivo do grupo, citado no relatório, apesar da desvalorização cambial nos mercados-chaves, o grupo conseguiu alcançar resultados satisfatórios.

Assegura que a disponibilidade da moeda estrangeira em Angola melhorou, resultando numa procura pelo kwanza.”Os títulos que atingiram o vencimento naquele mês de Junho, serão reinvestidos no mercado, se houver necessidade”, sustentou.

Na Nigéria, o grupo registou alguns prejuízos com o encerramento das lojas durante e após os ataques xenófobos de Setembro último, resultando numa diminuição nas vendas de 8,1 por cento.

A Zâmbia, por sua vez, teve um bom desempenho com as vendas a crescer em 14,7 por cento no período. No Quénia, desde a abertura da primeira loja, em Dezembro de 2018, mais outras três lojas foram abertas entre Junho e Dezembro último.

Pieter Engelbrecht assegura ainda que o grupo está, actualmente, a gerir os riscos associados a Covid-19 e não prevê um impacto material sobre o negócio.

Disse que o grupo registou ganhos cambiais de 232 milhões de randes (cerca de 6,9 mil milhões de kwanzas), na maior parte das diferenças cambiais devem-se a ganhos em kwanzas e perdas em dólares de operações fora da África do Sul.

O crescimento das vendas no segundo semestre do exercício de 2020 está em linha com a estratégia de negócio implementadas pelo grupo nos principais mercados.

“Espera-se que o ambiente operacional dos supermercados de fora da África do Sul continue desafiador até que as moedas se estabilizem e a acessibilidade do consumidor seja alcançada”, disse o responsável.

Em termos de estratégia, “continuamos comprometidos em operar no continente, mas estamos limitados à expansão, enquanto analisámos as nossas opções com relação aos modelos operacionais alternativos”, clarificou.


500 trabalhadores

Gestores recuam na intenção de despedir

Os gestores da rede Shoprite em Angola tinham em carteira o despedimento de cerca de 500 trabalhadores e o fecho de algumas lojas ainda este ano.
Fontes do Jornal de Angola avançaram a fraca rentabilidade de algumas unidades como estando na base das intenções deste que é um dos maiores retalhistas do segmento de distribuição alimentar no país e com forte presença pelo continente africano.

A acção proactiva do novo ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes, que desde à sua nomeação tem implementado um intenso programa de diálogo e visitas aos operadores, está na base deste recuo, de acordo com a referida fonte, embora entre os meses de Fevereiro e Abril, pelo menos, cerca de 50 trabalhadores com contratos vencidos não viram renovados o vínculo laboral. Sobre este assunto, contactámos a direcção em Luanda, no Shoprite Bela Shopping, onde funcionam entre outras a área de recursos humanos.

Foi-nos respondido ser da competência da direcção jurídica esclarecer estes temas, o que fariam em tempo apropriado (já passaram mais de dois meses).
Embora não seja clarificada a situação dos postos de trabalho, o encerramento da loja de Cacuaco Vila (Usave) já é quase certa.

Isaque Lourenço