Economia / Investimentos

Há escassez de investimentos na indústria de reciclagem

O administrador da Agência Nacional de Resíduos, Fulgêncio Pegado, disse, no início da semana em Luanda, ao Jornal de Angola, que a escassez de investimentos para a modernização dos sistemas de recolha e a actual condição de tratamento dos resíduos sólidos sem fortes investimentos financeiros continuam a ser os principais constrangimentos da indústria de reciclagem do país.

A juntar a estas insuficiências, está também a necessidade da valorização das áreas degradadas pela má disposição do lixo, a implantação de novos aterros sanitários e unidades de tratamento e a falta de quadros técnicos no sector  público  para a gestão dos resíduos.
Em declarações ao Jornal de Angola, Fulgêncio Pegado disse que para se colmatar este défice, foram previstas pelo Governo a implantação de novos aterros sanitários. Para reverter o quadro, Fulgêncio Pegado explicou que o Ministério do Ambiente, por intermédio da Agência Nacional de Resíduos (ANR),   instrui  e colabora  com as comunidades e entidades que exercem a actividade no sector, para contribuir para a melhoria dos serviços que as empresas prestam, no campo da boa gestão de resíduos e do cumprimento   dos procedimentos legais.
O administrador da ANR apontou  como um  constrangimento a inoperância da recolha selectiva do lixo, além da ausência de educação ambiental no seio das comunidades. Fulgêncio Pegado diz ser necessária a participação e responsabilização compartilhada das instituições educacionais e das empresas na gestão de políticas de reciclagem e de educação ambiental.
Apesar das dificuldades que o país vive, Fulgêncio Pegado explicou que a indústria de reciclagem e o reaproveitamento de resíduos continua em fase de crescimento, pois, sustentou, “é notável o interesse de muitas outras entidades pelo sector”.
Em Angola 25 empresas foram licenciadas e fazem a reciclagem de resíduos nas províncias de Luanda, Benguela, Huambo e Cu-anza-Norte. Nessas zonas, a principal actividade das empresas tem sido a reciclagem de papel, papelão, óleos de manutenção e de fritura, baterias, plásticos, pneus, garrafas, latas, vidro, resíduos eléctricos e electrónicos, me-tais, sucatas, alumínio, “toners” e tinteiros.

Resíduos sólidos

A existência de grandes quantidades de resíduos sólidos nos bairros periféricos de Luanda é  um desassossego para a direcção da Agência Nacional de Reciclagem, já que, com a época chuvosa, a situação tende a piorar, prejudicando não só a saúde da população como o próprio meio ambiente. Fulgêncio Pegado disse que a falta de eficácia no sistema de saneamento básico no país acaba por ser maior na época chuvosa causando o agravamento no acúmulo de resíduos em pontos críticos da cidade.
Fulgêncio Pegado sublinhou que a educação e a sensibilização ambiental revelam-se fundamentais para o sucesso das estratégias definidas rumo ao desenvolvimento sustentável.
De modo a mitigar as irregularidades, o Ministério do Ambiente está  a realizar actividades de sensibilização e de consciencialização ambiental, com o apoio das associações de defesa do ambiente e outros parceiros públicos e privados, com o intuito de munir a comunidade com informações relevantes sobre as boas práticas de gestão de resíduos, como o depósito do lixo em locais adequados, a separação de resíduos e a sua valorização.
 
Postos de trabalho  

O Ministério do Ambiente, por intermédio da Agência Nacional de Resíduos, criou três mil postos de trabalho directos e indirectos, que trabalham com diversos produtos recicláveis, como óleos usados de cozinha para a produção do sabão artesanal, sucatas, metais para  a produção de ferro, varões de construção civil, papelão para fabrico de cartões de ovos, obras de arte, fardos, roupas descartadas para vasos, pneus descartados para a transformação de mobílias, plásticos para vassouras, alumínio para latas, vidro transformados em  garrafas, materiais eléctricos e outros que depois de prontos são vendidos no mercado nacional ou exportados.
O administrador da Agência Nacional de Resíduos considera o número ainda abaixo para aquilo que considera os desígnios do sector de reciclagem. Contudo, Fulgêncio Pegado louvou a grande adesão e contribuição dos cidadãos “catadores”, que tiram da recolha do lixo o seu “ganha-pão”, por meio da prática da colecta selectiva junto de al-guns parceiros que doam os resíduos sólidos, quer de produtos recicláveis recolhidos pelas ruas, aterros sanitários e contentores de lixo que o cidadão gerador não separou e colocou no mesmo saco.
Com o apoio dos “catadores”, as empresas de recolha de lixo deixaram de pagar elevados quilos que seriam recolhidos e descartados no aterro. “Na melhor das hipóteses, temos uma economia e um serviço semifuncional, já que o material recolhido pelos ‘catadores’ evita o consumo de matéria-prima virgem e recursos naturais esgotáveis”, reconheceu Fulgêncio Pegado.
Para já, a actividade de gestão de resíduos é permitida somente a empresas licenciadas pela ANR, onde há uma base de dados para controlo das operadoras de resíduos, na campo da recolha e comercialização no país. Luanda destaca-se na indústria de reciclagem, fortemente apoiada por indústrias como a Vidrul,  aonde são levadas as garrafas, AngoRecicla, responsável pela reciclagem de latas, Resurb, que recebe pneus e sucatas, e a Cooperativa Barra de Sabão, que aceita óleos de cozinha usados para a produção de sabão.