Economia

Fertilizantes devem estar disponíveis a tempo inteiro

Os especialistas ligados ao sector agrícola defendem a distribuição em tempo útil e oportuno dos insumos para todo o ano, a fim de se cumprir com as metas do incremento à produção nacional e redução da importação alimentar.

Os entendidos na matéria que se pronunciaram sobre a disponibilização de 40 milhões de dólares anunciados pelo Governo, para compra de 75 mil toneladas de fertilizantes de suporte à campanha agrícola 20/21, que começa em Setembro, consideram excelente a medida. Alertam, no entanto, ao Ministério da Agricultura e Pescas a manter um diálogo mais aberto com outros actores agrícolas para a saída airosa da contenda.

O especialista Simione Tchiculo, representante da ADRA para as provínciais da Huíla e Cunene, disse que deve o Governo olhar mais para o Huambo, Bié, Cuanza-Sul, Benguela e parte da Huíla, que são as que mais usam adubos. O responsável reconhece que tecnicamente vê o atraso na entrega de imputes, devido a escassez de meios, sobretudo de fertilizantes que chegam a Angola em Agosto.
Frisa que depois tem outra dimensão logística para que os fertilizantes cheguem ao destinatário, qual não coincide com o período da abertura do ano agrícola.
Para Simione, a compra dos fertilizantes deve ser feita de forma regular, não podendo estar concentrada em apenas uma época do ano e a um programa de distribuição ao longo do ano.

Justifica que um ano agrícola pode existir várias campanhas e exemplifica a produção da batata rena que tem um ciclo de três meses. “Cada ciclo, de legumes ou hortícolas e tubérculos, precisam do fertilizante na data dos seus ciclos para fluir”, explica.
Por outro lado, considera que a quantidade a ser recepcionada é inferior, já que só a província do Huambo consome, anualmente, 80 mil toneladas de fertilizantes.
“Precisamos de melhorar a logística no que tange ao acesso de adubos e ter mais agentes económicos no processo para uma melhor distribuição e fácil acesso”, afirmou.


Por sua vez, o engenheiro Paulo Filipe disse que o país tem condições e matérias-primas para começar a fabricar fertilizantes, dada a presença de vários mineiros que concorrem para o efeito.
O agrónomo acrescentou que, grande parte dos fertilizantes importados, é consumido pelos empresários agrários, enquanto a agricultura familiar disponibiliza 80 por cento da produção nacional que são, às vezes, relegados para o segundo plano.