Economia

Economia vai crescer 2,9 por cento este ano

A economia angolana regista este ano um crescimento de 2,9 por cento, numa evolução que se prolonga por 2020 e 2021, quando o Produto Interno Bruto (PIB) se expande em 2,6 e 2,8 por cento, de acordo com projecções avançadas ontem pelo Banco Mundial.

As previsões, incluídas do relatório “Perspectivas Económicas Globais”, divulgado em Washington, situam o PIB de 2020 e de 2021 em 0,7 e 0,2 pontos percentuais acima das estimativas anteriores.
O Banco Mundial declara no estudo esperar que, depois de uma contracção significativa, Angola - tal como a Argentina e o Irão - registem uma recuperação económica gradual.
Em Angola, o sector petrolífero deverá beneficiar do início de produção de novos blocos de exploração e também de reformas para melhorar o ambiente de negócios, indica a instituição.
No relatório de Janeiro de 2018, o Banco Mundial tinha antecipado uma expansão económica de 0,7 pontos mais que a estimada em Junho de 2017, para 1,6 por cento do PIB graças a “uma transição política de sucesso que abre a possibilidade de reformas que melhorem o ambiente de negócios”.
No relatório, o Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento económico de Angola para 2018, estimando agora uma contracção de 1,8 por cento, ao invés de uma expansão de 1,6 do PIB.
A revisão representa uma inversão de 3,5 pontos percentuais relativamente às previsões feitas há 12 meses atrás.
O relatório refere que Angola e a Gui-né Equatorial registaram quebras no PIB devido ao declínio na produção de matérias-primas, no caso angolano do petróleo.
Países que dependem da exportação de matérias-primas sofreram não só devido à queda dos preços, mas também da confiança dos investidores devido às “vulnerabilidades externas e condições domésticas frágeis”, perfil que Angola partilha com a Argentina, África do Sul ou Nigéria.

Influência sobre África
A contracção económica de Angola, associada ao crescimento fraco da Nigéria (1,9 por cento) e África do Sul (0,9), é responsável pelo desempenho abaixo da média da África Subsahariana, que em 2018 deve crescer 2,7 por cento, uma previsão em baixa de 0,4 pontos percentuais face ao previsto em Junho.
Este cenário reflecte “uma expansão lenta nas maiores economias da região perante um crescimento moderado do comércio, condições financeiras restritivas e preços fracos para metais e produtos agrícolas”.
Espera-se que o crescimento regional atinja os 3,4 por cento em 2019 e uma média de 3,7 em 2020-21, “dependendo da redução da incerteza política e mais investimento nas grandes economias, juntamente com um crescimento robusto contínuo em países com recursos não intensivos”, pode ler-se no documento.
O crescimento do rendimento “per capita” deverá permanecer bem abaixo da média a longo prazo em muitos países, gerando pouco progresso na redução da pobreza.
Os principais riscos para os países africanos ao sul do Sahara incluem, segundo o Banco Mundial, a “possibilidade de crescimento mais lento do que o projectado na China e na Zona Euro, novas quedas nos preços das matérias-primas, um forte aperto das condições de financiamento global, derrapagem fiscal, paralisação das reformas estruturais e conflitos”.