Economia

Economia mundial vive onda de instabilidade

O regresso das sanções norte-americanas ao Irão na sequência do rompimento pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do acordo nuclear assinado pelo seu antecessor, Barack Obama, e pelos líderes da Rússia, China, França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia está a provocar uma verdadeira onda de instabilidade em todo o mundo, tanto em termos políticos como, e sobretudo, económicos.

Quando a 8 de Maio Trump rasgou o acordo internacional sobre o programa nuclear daquele país, pondo no papel aquilo que foi dando a entender desde o início da corrida à Casa Branca, fê-lo porque, na sua opinião, este tratado só beneficiava Teerão. Muitas foram as vozes que se fizeram ouvir, alertando para os riscos que se viveria com tal decisão. E, se nos palcos mundiais falaram figuras da política, da economia, da cultura e das ciências, as ruas das principais cidades dos cinco continentes foram tomadas por manifestantes preocupados com as consequências reais desta nova bravata do Presidente norte-americano.
Os principais protestos, como é óbvio, tiveram lugar em Teerão e noutras cidades iranianas. Nas ruas, foram queimadas bandeiras norte-americanas, ainda que, nas redes sociais, houvesse quem pedisse desculpas pelo cerco à embaixada em 1979, aquando do derrube do Xá Reza Pahlevi.
Consideradas as mais duras de sempre impostas ao Irão, estas sanções afectam as exportações de petróleo, a banca, os transportes navais e aéreos, sectores fulcrais da economia iraniana. Do lado do Governo de Teerão, a decisão foi alvo de duras críticas, com o Presidente Hassan Rohani, a afirmar que o seu país “derrotará orgulhosamente” as medidas de restrição impostas pelos Estados Unidos, que descreveu como “ilegais, injustas e contrárias ao Direito Internacional.”
As sanções norte-americanas afectam, sobremanei-ra, as economias dos países europeus, cujas companhias perdem, assim, milhares e milhões de dólares, em particular os fabricantes de aeronaves, e também os de navios e automóveis, algumas com grandes negócios em curso, que agora são obrigadas a cancelar, isso apesar de a União Europeia, a China e a Rússia terem já dado sinais de que vão manter os negócios com o Irão.
Para Bruxelas, assim como para as principais capitais europeias, do mesmo modo que para Moscovo e Pequim, o acordo é bom para ambas as partes, dado que o programa nuclear iraniano foi travado e submetido a inspecções independentes e o levantamento das sanções internacionais iria reanimar a economia iraniana.
Face ao regresso das sanções norte-americanas, alguns acreditam ser intenção de Donald Trump reforçar o papel dos EUA como “polícia do Mundo.” A reforçar essa ideia está a “autorização” dada a oito países para continuarem a comprar por mais seis meses petróleo iraniano, apesar das sanções. São eles a China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Itália, Grécia, Turquia e Taiwan.
Com o recrudescimento das sanções norte-americanas, o Irão tem vindo já a reduzir as vendas de petróleo, com quebras de cerca de 800 mil barris diários a menos que no início do ano. Os EUA esperam que todos os países reduzam a zero as importações de crude, o que seria um duro golpe numa economia que tem no sector energético uma base fundamental.
Entretanto, os opositores de Donald Trump em Washington acusam o Presidente de estar a ajudar os russos, que serão os principais beneficiários destas sanções ao Irão, num momento em que os países árabes produtores de petróleo anunciaram que não vão aumentar as suas quotas de produção.
As sanções norte-americanas ao Irão regressam num momento crucial para a política interna nos EUA devido à realização das eleições intercalares realizadas terça-feira. Os dois factores tiveram fortes reflexos nas bolsas em todo o Mundo, com o dólar norte-americano a perder terreno contra as principais divisas internacionais. As eleições intercalares são um importante teste político para Donald Trump, com as eleições para a Câmara dos Representantes e para o Senado a determinarem se o Partido Republicano mantém o controlo do Congresso nos próximos dois anos. Estas eleições são vistas como um importante teste para Trump e o Partido Republicano. Já o petróleo passou de imediato a ser negociado em alta, recuperando de quedas em sessões anteriores.