Economia

Dólares debatidos em Washington

O Banco Mundial garante interceder junto dos bancos correspondentes para o restabelecimento de relações com as instituições financeiras angolanos no sentido de estas voltarem a obter divisas das suas congéneres norte-americanas.

A disponibilidade da instituição de Bretton Woods foi manifestada, na terça-feira, em Washington durante um encontro entre o ministro das Finanças e o vice-presidente  do Banco Mundial para África e com o director do departamento Africano do Fundo Monetário Internacional, Mahktar Diop e Abebe Selassie.
A delegação angolana sugeriu ao Banco Mundial abordar o assunto sobre a correspondência bancária com seriedade, dado que constitui um problema de exclusão financeira de um conjunto de países com fragilidades institucionais do sistema financeiro internacional, numa altura em que se fala de inclusão financeira dos cidadão desses países.
Na entrevista que concedeu recentemente à Televisão Pública de Angola, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe, expressou optimismo em relação ao retorno à aquisição de divisas junto dos bancos norte-americanos, bastando para isso que as medidas em curso no sistema financeiro angolano sejam observadas. Valter  Filipe defendeu o reforço do sistema financeiro para combater o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo, bem como garantir estabilidade na relação com os bancos correspondentes internacionais.
Para o governador do Banco Nacional de Angola, as visitas de trabalho efectuadas aos diversos países da Europa e da América, com destaque para os Estados Unidos, até ao final do ano passado, permitiram esclarecer aos bancos correspondentes sobre a realidade e as fragilidades que o país regista, fazendo com que Angola ganhe a confiança do estrangeiro. “O BNA está a criar uma reforma no sistema financeiro que começou com o Banco Central, passando pelo BPC, BCI e pelos bancos comerciais. É, pois, importante perceber que a América e a Europa estão neste momento em guerra contra o terrorismo.”
Os bancos correspondentes tinham uma percepção distorcida da realidade angolana por causa da má comunicação interna, mas “as viagens para os Estados Unidos e à Europa permitiram explicar aos empresários o verdadeiro cenário económico do país”, referiu. O gestor disse que o BNA continua a fazer a diplomacia financeira para voltar a ter uma relação saudável com os bancos correspondentes internacionais, não só para normalizar o fornecimento de divisas, mas para a obtenção da equivalência de banco supervisor a partir dos bancos centrais europeus e norte-americanos.
No encontro em Washington, onde Archer Mangueira apresentou o quadro real da situação económica, a evolução recente e as perspectivas de Angola, o Banco Mundial garantiu mais apoio à a produção agrícola como meio de aliviar a pressão sobre a balança de pagamentos, dado o elevado nível de importação de bens alimentares.Os encontros da delegação angolana na capital norte-americana enquadram-se no cumprimento da agenda da delegação angolana que participa nas reuniões de Primavera das instituições de Bretton Woods.
Com Mahktar Diop, o ministro das Finanças abordou a estrutura da nova parceria entre Angola e o Banco Mundial, olhando para os projectos em desenvolvimento e as suas necessidades de financiamento. Makhtar Diop manifestou o desejo de ver Angola a adoptar um programa relacionado com a nutrição. Por sua vez, o encontro com director do Departamento Africano do FMI focou-se na análise da conjuntura e das medidas do Executivo para fazer frente ao controlo da inflação, diversificação das exportações, melhoria da condição financeira do Estado e a melhoria do sistema financeiro nacional. Abebe Selassie expressou a preocupação do FMI em relação à queda dos índices do crescimento económico, especialmente entre os países motores da região – África do Sul, Nigéria e Angola, atingindo em 2017 apenas 1,5 por cento, ou seja, o nível mais baixo dos últimos 25 anos.
Abebe Selassie apelou à responsabilidade destes países no sentido de manterem o foco nas reformas estruturais tendo em vista a recuperação da confiança dos investidores.
Os demais membros da delegação, chefiada por Archer Mangueira, estiveram igualmente envolvidos em  reuniões e encontros com   entidades do sector financeiro.
O quadro de assistência técnica em matéria fiscal tem vindo a ser aprofundado com a discussão de diferentes aspectos inerentes ao mercado de capitais, estatísticas e assuntos fiscais.
Na quarta-feira, o ministro das Finanças teve encontros com o director-adjunto do FMI, Tao Zhang, reunião da constituência junto do FMI e com a Unidade de Gestão do país junto do Banco Mundial.
A delegação angolana   presente nas reuniões de Primavera de Bretton Woods integra o ministro do Planeamento e Desenvolvimento do Território, Job Graça, o vice-governador do Banco Nacional de Angola, Tiago Dias, além de altos quadros dos três organismos do Estado.