Economia

"Baía Farta" na pesquisa dos recursos marinhos

Angola vai contar, a partir do próximo ano, com um navio oceanográfico de investigação científica que permitirá o aumento da capacidade de investigação dos mares nacionais.

A informação foi avançada ontem pela ministra das Pescas e do Mar, Victória de Barros, acrescentando que o referido navio, denominado “Baía Farta”, que está a ser construído com tecnologia de ponta, vai atrair quadros nacionais e internacionais e ampliar os seus conhecimentos sobre o sector.
Victória de Barros, que falava na cerimónia de apresentação do navio de investigação mais avançado do mundo “Dr. Fridtjof Nansen”, proveniente da Noruega, reafirmou que Angola deseja estabelecer protocolos de cooperação de forma a assegurar a operacionalidade, eficácia e eficiência do navio “Baía Farta”.
A ministra explicou que o “Baía Farta” tem valências como as do navio Dr. Fridtjof  Nansen, o que será muito bom para o país. Essas valências incluem, além das actividades tradicionais de investigação biológica e oceanográfica, investigação especializada em vários domínios como a acidificação dos mares, ocorrência de micro plásticos e detritos nos oceanos com impacto na saúde e na produtividade do ecossistema marinho, as mudanças climáticas e seus efeitos.
O navio “Dr. Fridtjof  Nansen está no país no quadro da cooperação científica entre Angola e a Noruega, que data desde 1985, quando o primeiro navio do género fez o primeiro cruzeiro em águas angolanas. Victória de Barros explicou que quando terminar a missão,  Angola vai ter um conhecimento mais actualizado sobre os recursos marinhos e ecossistemas.
O navio vai servir de plataforma para estreitar a cooperação regional e internacional no domínio do mar, a formação de quadros e o intercâmbio de experiências, de dados e de informação entre os cientistas e gestores do mar. As ferramentas têm uma vertente muito grande na formação de quadros, intercâmbio de cientistas, troca de informações e experiência, o que considera positivo tendo em conta que vai capacitar os cientistas nacionais.

Presença de microplásticos


Angola identificou a presença de micro plásticos nas águas, resíduos estes que ainda não foram classificados.
A directora do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira, Filomena Vaz Velho, disse que a questão dos micro plástico é um problema mundial que tem efeitos na biodiversidade e quando ingeridos podem até provocar asfixia.
Esta é a primeira vez que Angola recolheu as amostras de micro plásticos nestas áreas. Foram detectados micro plásticos de fibras de redes de pescadores e vestígios de sacos plásticos. Sobre vestígios de combustível nos mares angolanos, a directora esclareceu que o instituto já tem amostras de águas e vai fazer análises de contaminantes de metais pesados e depois avançar informações concretas sobre os níveis de poluição destes resíduos.

Noruega


O encarregado de negócios da embaixada da Noruega em Angola, Havard Hoksnes, disse que o novo navio é uma ferramenta para fazer a exploração e utilização sustentável do mar e dos seus recursos.
O diplomata explicou que enquanto os navios anteriores Fridtjof  Nansen monitoravam e investigavam os recursos marinhos, sobretudo os pesqueiros, o novo tem a tecnologia para fazer o mapeamento de recursos marinhos, determinar o nível de poluição do mar, sobretudo de micro plásticos e tem a tecnologia para monitorar como as alterações climáticas afectam a vida nos oceanos.
Os oceanos oferecem um grande potencial para o desenvolvimento humano. A população mundial deve subir em mais de 2 mil milhões até 2050 passando para 9,7 mil milhões, aumentando a necessidade de recursos como o alimento e energia a partir dos oceanos.