Desporto

Futuro de Mano Calesso nas “mãos” do Interclube

O extremo Mano Calesso, de 30 anos, assegurou ontem, ao Jornal de Angola, estar em negociações com a direcção do Interclube, tendo em vista a renovação do vínculo contratual, que expira no final do mês em curso. Melhor marcador da equipa, com cinco golos, na época recentemente anulada, devido à pandemia da Covid-19, o jogador deseja continuar no clube afecto à Polícia Nacional.

O facto de ter conseguido superar a margem dos 20 jogos como titular, rubricados no campeonato de 2019, ao atingir o registo de 23 desafios no “onze” do técnico Ivo Campos, no Girabola encerrado prematuramente, permite ao jogador fazer um balanço positivo da última temporada.

“Acho que, apesar de que podia ter feito muito mais jogos, caso o Girabola não encerrasse, estou satisfeito com o rendimento. Consegui ajudar a equipa e os colegas a fazerem sempre os melhores resultados e, mais do que isso, ser o melhor marcador da equipa. Estive melhor em relação ao campeonato passado, e sinto-me muito satisfeito por isso”, confessou o extremo, para em seguida acrescentar existirem fortes probabilidades de continuar ao serviço da equipa do Rocha Pinto.

“O meu contrato está no fim. Estou a conversar com a direcção. Já fui contactado pela direcção, estamos a conversar. Ainda não chegámos ao final da decisão, mas acredito que vamos chegar a um acordo. A negociação está a ser muito boa e espero que termine da melhor forma possível, de acordo com a vontade das partes”.

O jogador mostra-se confiante na renovação, mas admitiu que a direcção de Alves Simões terá “papel determinante” na decisão do futuro, embora tenha deixado clara a vontade de continuar no Interclube, “uma equipa grande, ambiciosa e, por isso, estou a negociar e vamos ver como tudo vai acabar”.

Terceiro ano nos polícias

Desde que regressou ao 22 de Junho, em 2018, proveniente do Kabuscorp do Palanca, onde rubricou também épocas de sonho, após passagens pelo Progresso Sambizanga e 1º de Agosto, este último onde iniciou a carreira ao mais alto nível, Mano Calesso admitiu ter corrido tudo como perspectivado. “Devo confessar que não precisei de estar um ano inteiro para me adaptar. Só precisei da pré-época. Depois de três meses já estava enquadrado no grupo. Aliás, sempre me adaptei muito rapidamente às equipas onde passo. Procuro sempre me adaptar rápido, para que consiga entrar mais cedo nos titulares”, disse.

Assumiu ter hoje responsabilidades acrescidas no plantel do Interclube, em virtude de ser um dos mais experientes do plantel. Garantiu estar a depositar enorme confiança na força divina, para ajudar Angola a ultrapassar rapidamente esta pandemia, que deixou o mundo em situação de emergência médica. “Tenho orado bastante e contado com o apoio do meu tutor, que me tem acompanhado todos os dias. Graças a Deus, as coisas têm corrido sempre da forma como pretendemos. Muitas vezes os jogadores têm tendência de sair dos treinos de cabeça baixa, porque as coisas não correram bem. Do meu lado, tenho alguém que me tem acompanhado, conversado e ajudado a melhorar os dias. Com a ajuda de Deus, tudo vai ficar bem”, asseverou.

Em tempo de confinamento e distanciamento social, nada melhor do que recorrer à tecnologia para manter contacto com colegas e amigos. Nesse sentido, Mano Calesso tem lançado desafio aos elementos do plantel, para a prática de exercícios. “O meu dia começa cedo, com treinos bi-diários. Gosto de trabalhar com música, sobretudo angolana”, contou, antes de finalizar: “Um abraço a todos, e que tudo isto passe para que voltemos a ter as nossas vidas normais, como era antes”, desejou.

“Encerrar a época foi decisão precipitada”

O encerramento prematuro do Girabola'2019/2020 é encarado pelo extremo Mano Calesso como “uma decisão precipitada”. O jogador compreende que o novo coronavírus é altamente contagioso e letal, mas acredita que se podia enveredar pelo exemplo de outros países, onde o futebol está de regresso, sob a condição da disputa de jogos sem adeptos.

“Acho que foi um pouco precipitada, a decisão de terminar já a época. Penso que a Federação podia esperar mais algum tempo, antes de decidir por anular”, afirmou o extremo influente do Interclube.

“Em contra-partida, temos de respeitar a decisão, porque foi pensada com o objectivo de proteger os jogadores e todos os fazedores do futebol, já que está em jogo a vida. Foi uma atitude que visou proteger a todos, embora acredite que se tivessem um pouco mais de calma, talvez a esta altura estaríamos a pensar em jogar as últimas cinco jornadas à porta fechada”, sustentou Mano Calesso.

O jogador acredita, por outro lado, vir a ser campeão com o Interclube (caso chegue a acordo com a direcção), porque “sou muito jovem e ainda há muito tempo para sonhar em conquistar muitos títulos”, embora se sinta lisonjeado por ter sido campeão com o 1º de Agosto.

“O meu objectivo é voltar a ser campeão. Espero ganhar tudo na próxima época: Taça de Angola, Girabola e jogar nas Afrotaças , mas sobretudo fazer um bom campeonato e estar ao alto nível. Se possível, com o Interclube, ou com outro clube que tenha estas metas nas prioridades”.