Desporto

Crise na Federação de Judo está longe de conhecer fim

A crise instalada na Federação Angolana de Judo (FAJ) está longe de conhecer o fim. Os associados estão agastados com o presidente destituído, Paulo Nzinga “Apolo”, que não aceita deixar o cargo e entregar as instalações onde funciona a instituição, situadas no Complexo da Cidadela Desportiva.

Vinte e quatro horas depois de a Comissão de Gestão e agentes da Polícia Nacional terem aberto a porta da Federação, que se encontrava soldada de forma que ninguém pudesse entrar, os membros da referida comissão foram surpreendidos ao encontrarem dois cariados colocados durante a noite, supostamente, por Apolo.

De acordo com Casimiro Bento, líder da Comissão de Gestão, o presidente destituído não aceita acatar a decisão do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD), em colocar uma Comissão de Gestão para funcionar até à realização das eleições. Por esta razão rejeita fazer a entrega de pastas e das instalações da sede federativa.

Na passada quarta-feira o presidente destituído, Paulo Nzinga “Apolo”, mandou soldar a porta principal da instituição, impedindo o normal funcionamento da mesma. A Comissão de Gestão recorreu à Polícia Nacional, para juntos abrirem a porta para que a Federação voltasse a entrar em funcionamento. O Jornal de Angola tentou contactar Paulo Nzinga “Apolo”, mas não foi bem sucedido, pois tinha o telefone desligado.

A última assembleia, realizada no passado mês de Fevereiro, visou analisar a situação vigente na modalidade e aprovar os relatórios de contas e das actividades realizadas nos últimos quatro anos.  As Associações Provinciais, com excepção da do Bengo, não aprovaram os relatórios de contas e decidiram, no final da assembleia, destituir Paulo Nzinga “Apolo” do cargo de presidente da Federação.

De acordo com Casimiro Bento, Paulo Nzinga alega que o documento que dá legitimidade à Comissão de Gestão é falso, uma vez que foi assinado no momento de quarentena e nenhuma instituição estava a trabalhar por força da Covid-19. Paulo Nzinga “Apolo” deslocou-se até à sede da Federação e decidiu bloquear a porta principal, para evitar o acesso à instituição.

Os membros da Comissão de Gestão recorreram à Polícia, com o comunicado do MINJUD assinado pelo director nacional dos Desportos Nicolau Daniel, para procederem a abertura da porta. Apolo notificou o MINJUD e os responsáveis do Complexo da Cidadela. O MINJUD respondeu à notificação de Paulo Nzinga, reafirmando a legitimidade da Comissão de Gestão, e deixou toda a responsabilidade à direcção do Complexo da Cidadela Desportiva, que deve accionar a Polícia caso surja qualquer situação.

Casimiro Bento, presidente da Comissão de Gestão, assegurou ao Jornal de Angola que Paulo Nzinga continua a manchar o judo e a brincar com os associados. “É uma autêntica vergonha. Estamos aqui a ver algo nunca visto na história da modalidade. Mesmo com o documento vindo do ministério, que dá legitimidade à Comissão de Gestão, o mesmo não consegue se retratar. Não é possível que uma pessoa impeça o funcionamento normal de uma instituição”.

O presidente da Associação Provincial de Judo do Cuanza- Norte, Hélder Camilo “Hogochi”, pediu a intervenção do Estado para se por fim aos problemas que a modalidade enfrenta nos últimos dias.  “Penso que é uma atitude muito negativa tomada pelo presidente destituído, que não respeita as leis vigentes no país. Os associados tomaram a decisão de retirar-lhe do cargo, e agora vem fazer isso na porta da instituição.

É muito triste o que está a acontecer com a modalidade. Penso que agora os órgãos competentes devem tomar as devidas medidas, porque se é uma pessoa destituída e há uma Comissão de Gestão, penso que é o momento dos órgãos máximos do país se prenunciarem”. As desavenças na Federação de Judo já duram mais de dois anos. Apolo assumiu a presidência em 2012 e cumpriu um mandato, mas face à crise instalada no segundo foi destituído em assembleia pelos filiados.