Desporto / Basquetebol

Palma aconselha respeito e trabalho

O seleccionador da Tunísia, Mário Palma, aponta a organização, disciplina, respeito e o trabalho como pressupostos fundamentais, para Angola voltar a dominar o basquetebol sénior masculino em África.

Voz autorizada para falar da modalidade no país, sobretudo pelo sucesso na carreira, alcançado na Selecção Nacional, onde conquistou quatro Campeonatos Africanos das Nações ( Afrobaskets'1999, 2001, 2003 e 2005, Palma, de nacionalidade luso-guineense, disse sem rodeios: “O problema do basquetebol angolano não se resolve com dinheiro, e penso que as pessoas já deram conta disso. Não é atirando-o para a mesa. É com respeito, trabalho, organização e disciplina. E tem muita gente competente e capaz de o colocar aonde merece”.
Para o técnico campeão do Afrobasket'2017, feito inédito na carreira, pois é o único a conquistá-lo por dois países, é importante haver um trabalho em conjunto e a reorganização da Federação Angolana de Basquetebol (FAB).
“Os angolanos adoram basquetebol, mas é preciso que as pessoas trabalhem em conjunto, e a Federação se reorganize. Sei que não está. Tem de ser definido um orçamento e saber qual a prioridade. Os jogadores não podem estar desmotivados. Portanto, se isso não for feito as coisas continuarão na mesma, e com tendência a piorar”, alerta.
Prosseguindo, disse que “alguns jogadores estão em final de carreira. É importante perceber isso, e trabalhar muito na formação para, no mais curto espaço de tempo, haver uma equipa de transição”.
Mas para isso dá a receita: “É necessário haver centros de treino, e equipas de vários escalões, Sub-19, 23, e competição interna com mais de duas equipas”. Quanto às exibições da selecção, o técnico luso - guineense disse não terem sido más, sobretudo no último desafio frente à Tunísia. “Foi um grande jogo. Infelizmente, contra o Irão não conseguiram fazer melhor. Mas penso que os constrangimentos, ao ser reduzido o tempo de preparação, terão sido determinantes”, finalizou.
Outro problema identificado tem a ver com a baixa estatura: “infelizmente, não é somente em Angola. Na Tunísia a questão é semelhante. Neste particular, a Nigéria está acima de nós. Convocou 45 jogadores para escolher 12, e grande parte deles joga nos Estados Unidos”.