Desporto

Angola começa a caminhada frente ao Qatar

Fugir do último lugar da tabela classificativa, ou seja, melhorar o desempenho patenteado na edição anterior e, se possível, surpreender o mundo é o objectivo que anima a participação da Selecção Nacional sénior masculina de andebol, no 26º  campeonato a ser jogado desde ontem na Dinamarca e Alemanha.

Angola começa a jogar hoje, às 15h30, diante da similar do Qatar, a contar para a ronda inaugural do Grupo preliminar D, cuja sede é a cidade de Copenhaga, Dinamarca.
Ao piso do Royal Arena vão subir duas equipas com historial e ambições diferentes.
Os qatarianos procuram manter-se na elite mundial e, quiçá, repetir o pódio que conseguiram na edição de 2015. Vão jogar desinibidos e sem receios, diante dos angolanos, cujas ambições passam por melhorar a pálida imagem deixada em 2017, na França.
Filipe Cruz, seleccionador nacional, tornou pública a estratégia a adoptar nesta competição. “Coesão defensiva e acutilância ofensiva” são as armas que escolheu, para tentar “surpreender” quem defrontar o combinado nacional.
A estratégia pode beneficiar do facto de o andebol angolano não estar muito visível nos grandes palcos mundiais. O último jogo oficial da equipa angolana foi disputado em Janeiro de 2018, no Campeonato Africano acolhido pelo Gabão. O andebol angolano não tomou parte das competições africanas de clubes, o que, apesar das tecnologias existentes, dificulta o “scouting” a qualquer adversário.
A Selecção Nacional vem de um estágio na Polónia, em que demonstrou um elevado nível de concentração defensiva e, também, percentagens animadoras na concretização das jogadas ofensivas.
A prontidão do grupo é revelada por Giovani Muachissengue, atleta totalista, que em Copenhaga assinala a quarta presença em mundiais. “Estamos prontos.
 A palavra que tenho para os mais jovens é que desfrutem, porque estamos na montra do andebol. Vamos jogar com os melhores do mundo, sabemos que nada é fácil, mas temos a plena consciência de que  tudo faremos para dignificar o nome de Angola e do andebol masculino. O facto de Angola estar entre as 24 melhores selecções do mundo já é uma vitória!”, disse o veterano guarda-redes Geovani Muachissengue.
Para o complemento da primeira jornada, às 18h00 a Argentina joga com a Hungria e a Suécia defronta o Egipto, às 20h00.

Amanhã a equipa cumpre folga e, no domingo, às 18h00, defronta a Hungria, para a segunda jornada. A equipa comandada por Filipe Cruz volta a jogar na segunda-feira, às 20h30, com a forte selecção da Suécia. Depois do repouso, na terça-feira, 15, a equipa volta à quadra na quarta e quinta-feira, para as últimas jornadas da fase de grupos, diante da Argentina e do Egipto, respectivamente.

Giovani é o mais experimentado do grupo

Giovani Muachissengue, de 35 anos, guarda-redes e capitão da Selecção Nacional de andebol sénior masculina, é que mais vezes jogou pelo país em campeonatos mundiais.
O veterano guarda-redes estreou-se na competição ao mesmo tempo que a Selecção Nacional, que teve a primeira participação em 2005, num Mundial que teve a particularidade de ser disputado em território africano. A Tunísia foi o local de baptismo dos Guerreiros, na altura treinados pelo búlgaro Nicolae Pirgov. Na edição seguinte, voltou a marcar presença no Mundial disputado na Alemanha,  em 2007, sob batuta do angolano Beto Ferreira, voltando a merecer a confiança no técnico Alexandre Machado no Campeonato do Mundo que a França acolheu em 2017.
Além de Giovani Muachissengue, outra figura de destaque no “sete” angolano é o fisioterapeuta Agostinho Na-zaré, que também assinala quatro presenças em campeonatos mundiais.
Aliás, acompanha as selecções nacionais masculinas desde os tempos em que o actual presidente da federação, Pedro Godinho,  fazia parte dela.
O seccionista João Chiloia “Langa” regista a segunda presença consecutiva.
Dos 15 jogadores presentes em Copenhaga, seis  jogam pela segunda vez, depois do França’2017, nomeadamente Edivaldo Ferreira, Adelino Pestana, Rome Hebo, Adilson Maneco, Gabriel Teka e Manuel Nascimento.
Os estreantes são Custódio Gouveia, Cláudio Lopes, Otimiel Pascoal, Cláudio Chicola, Elsemar Santos, Francisco Almeida, Agnaldo Tati e Agnelo Quitongo.