Desporto

Afinar estratégias

Com o mundo sacudido até às extremidades, as nações vivem nos dias presentes angustiadas, condição para a qual foram empurradas pela força vulcânica de um vírus, fortemente letal, cuja origem vai causando alguma discórdia, entre quem crê que seja natural e outro que vê nele uma obra do génio do homem, forjado em laboratório, com fins inconfessos.

A despeito disto, desde o princípio do ano que o mundo mudou a rotina, forçado à adopção de rigorosas medidas de protecção, para conter a sua propagação, processada quase à velocidade da luz. A excepção daqueles que entram nos catálogos como serviços essenciais, todos os demais ficaram comprometidos, não havendo cálculos aproximados às consequências decorrentes desta medida.

No caso concreto de Angola, com a saída do Estado de Emergência e entrada para a Situação de Calamidade Pública, se vislumbra uma luz, ainda que ténue, no fundo do túnel. De resto, já se avançam datas prováveis, para o regresso à normalidade deste ou daqueloutro serviço, embora em termos de contenção da doença não tenhamos ilusões, tampouco motivos para esfregar as mãos de contentes ou desatar, de forma efusiva, ao lançamento de fogo-de-artifício.

No fundo, estamos a seguir apenas as peugadas dos outros países, que vendo as respectivas economias a colapsar, não enxergam saída que não seja partir para a desafiante coabitação com o vírus, com a observância, claro está, de todas as medidas de segurança que se impõem, até que se ache um antídoto de contorná-lo ou até que, do mesmo modo que surgiu, se extinga à superfície da terra.

Portanto, se nos próximos dias o quadro evoluir positivamente, a actividade desportiva em Angola retoma no dia 27 de Julho. Compete assim aos agentes desportivos traçarem estratégias que se revelem favoráveis e eficazes a um recomeço que não seja sofrível para as equipas. Pois, defesos prolongados têm, regra comum, as suas nuances.

Se se tiver em conta que o Girabola tem Outubro como mês de começo, então abre o calendário uma folga que pode ser colmatada, quiçá, por uma espécie de Torneio de Abertura, que possa concorrer para a reabilitação física e atlética das equipas e, deste modo, poderem partir para o campeonato, propriamente dito, melhor entrosadas.

Coloca-se também a questão de segurança dos próprios actores directos do espectáculo. Como será? Já é sabido que numa fase inicial os jogos serão à porta fechada. Mas quais serão os outros procedimentos complementares, para que todos os envolvidos se sintam protegidos? São estes elementos que devem ocupar as mentes pensantes dos agentes desportivos.

Ainda assim, não se pode perder de vista a possibilidade de um recuo nas projecções que fazemos, dependendo tudo do comportamento da pandemia. No caso de Luanda continuar sob cerca sanitária haverá condições para realizar o Girabola? Sendo a província com maior representatividade no torneio? É importante que o raciocínio nos leve até ai.

Não deve deixar de ser, igualmente, equacionada a possibilidade de um Girabola sem Luanda. Apesar de tudo quanto representa para o futebol nacional, pelo seu potencial, não pode tornar reféns as outras províncias. Em situação de excepção todos os arranjos são possíveis. Ou cairão o Carmo e a Trindade se a próxima edição tiver de ser disputada sem o seu maior papão?