Cultura

Sociedade Angolana de Autores monitoriza utilização de músicas

O processo de monitorização das rádios e canais de televisão pela Sociedade Angolana de Direitos do Autor (Sadia), através de um sistema informático eficaz, iniciou na primeira quinzena deste mês, informou, hoje, em Luanda, o director do departamento tecnológico da instituição.

De acordo com explicações técnicas do funcionamento deste programa informático, prestados por Cássio Caposso Cristóvão, o sistema monitora todos os conteúdos dos associados, sendo possível identificá-los em menos de dois segundos. O programa prevê também o controlo de mais de 120 milhões de músicas.

Segundo Cássio Caposso Cristóvão, o sistema, além de controlar diariamente as rádios e televisões no país, tem a capacidade de monitorizar igualmente 1.700 televisões, 6.500 rádios e mais de 10.000 discotecas, bares, supermercados e lojas comerciais em 85 países.

Os supermercados, restaurantes e "shoppings", disse, vão começar a ser monitorizados a partir de Outubro desde ano, como prevê o artigo 24º do Decreto Presidencial 114/16 de 30 de Maio de 2018. A Sadia, explicou, é a 6ª entidade Colectiva de Gestão de Direitos Autorais (ECG) em África a usar o sistema que já é utilizado em mercados mais desenvolvidos como Israel, Estados Unidos e França.

Cassio Caposso Cristóvão referiu que em África, as congéneres da Sadia que utilizam o mesmo sistema informático são a Samro, na África do Sul, a Kopiken, no Quénia, a MCSN, na Nigéria, a Ghamro, no Ghana, e a Onda, na Argélia. “O novo paradigma do mundo exige que as associações sejam munidas das melhores tecnologias e nos últimos meses, temos investido em tecnologia de ponta para ajudar a organizar o mercado musical nacional”.

Esclarece que este sistema ajuda na transparência da recolha e distribuição dos rendimentos de direitos autorais, possibilitando ter uma noção real dos números de vendas digitais (Streaming), assim como das restantes plataformas digitais.

“Isso terá efeitos positivos para o mercado, na atribuição de discos de Ouro e Platina e os investidores de música vão ter uma base para estudos de viabilidade do negócio musical”.

O responsável garantiu que a Sadia tem trabalhado para atrair investimento estrangeiro para ajudar a indústria musical e a cultura a crescer. “Temos plena certeza de que a música angolana tem um grande potencial, porém é necessário estarmos organizados e implementarmos regras” defendeu.

O Estado, argumentou, tem procurado criar mecanismos legais como a lei 15/14 de 31 de Julho, sobre a temática dos direitos autorais e conexos e continua a apoiar com aprovação de decretos em matéria de defesa dos mesmo.

Cássio Caposso Cristóvão apelou aos intervenientes do mercado musical a estarem mais atentos aos sinais do tempo e à adaptação da indústria musical que tem registado progressos nos últimos dez anos. “Sugerimos também aos artistas e detentores de direitos autorais a declararem as suas obras”.